GTIN (Global Trade Item Number) é o número global que identifica um produto no comércio — é o número impresso embaixo do código de barras. No Brasil, o formato mais comum é o GTIN-13, o antigo EAN-13, que começa com 789 ou 790 quando foi registrado aqui. Ele é atribuído pelo dono da marca por meio da associação GS1, e é o dado que Google Shopping e marketplaces usam para saber que o seu anúncio é exatamente aquele produto.
Este guia explica os quatro tamanhos de GTIN, quanto custa conseguir um pela GS1 Brasil (tabela de outubro/2026), quando você não precisa ter um, e calcula passo a passo o dígito verificador — a conta que separa um código de barras digitado certo de um que vai ser reprovado no Merchant Center.
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Em resumo:
- GTIN é o número que identifica um produto no mundo inteiro; EAN-13, UPC e ITF-14 são formatos de GTIN, e o código de barras é só a forma de ler esse número.
- No Brasil, o GTIN oficial vem da associação à GS1 Brasil, com taxa de inscrição e anuidade proporcional ao faturamento: o primeiro pagamento vai de R$ 29,50 (MEI, até 10 códigos) a R$ 4.053,00 (tabela de outubro/2026).
- O último dígito do GTIN é um verificador calculado pelo módulo 10: ele pega erro de digitação, mas não prova que o código existe nem que pertence à sua marca.
- O Google pede GTIN para produtos que têm um atribuído pelo fabricante; produto artesanal, personalizado ou sem identificador deve ir sem GTIN e com
identifier_exists=no. - Os erros que mais derrubam anúncio são GTIN inventado, o mesmo GTIN em várias variações, código interno começando com 2 e zero à esquerda apagado pela planilha.
O que é GTIN
GTIN é a chave de identificação de item do sistema GS1, que administra os padrões de código de barras no mundo. Cada combinação de produto e embalagem tem o seu: o mesmo biscoito em 200 g e em 400 g tem dois GTINs; uma camiseta em três cores e quatro tamanhos tem doze.
Três coisas costumam ser tratadas como sinônimos:
- GTIN é o número, o identificador.
- EAN, UPC, JAN, ISBN, ITF-14 são nomes históricos dos formatos de GTIN.
- Código de barras é a representação gráfica que o leitor lê. O mesmo GTIN pode estar num código linear ou no QR Code padrão GS1, que a GS1 Brasil está levando ao varejo na iniciativa Sunrise 2027.
O feed de produtos não carrega a imagem do código de barras, carrega o número — e é por ele que Google e marketplaces cruzam o seu anúncio com o catálogo global.
Tipos de GTIN: 8, 12, 13 e 14 dígitos
Existem quatro tamanhos. A especificação do atributo GTIN no Merchant Center aceita os quatro, ignorando espaços e traços.
| Formato | Nome comum | Onde aparece |
|---|---|---|
| GTIN-8 | EAN-8, JAN de 8 dígitos | Embalagens muito pequenas, onde um código longo não cabe |
| GTIN-12 | UPC-A | Produtos registrados nos Estados Unidos e no Canadá (o UPC-E de 8 dígitos deve ser convertido para 12) |
| GTIN-13 | EAN-13, JAN de 13 dígitos, ISBN-13 | Padrão no Brasil e na maior parte do mundo; livros usam o ISBN-13 |
| GTIN-14 | ITF-14, DUN-14 | Caixas e embalagens de agrupamento (a caixa com 12 unidades, por exemplo) |
Um GTIN-13 brasileiro tem quatro partes, segundo o guia da GS1 Brasil sobre os números do código de barras: o prefixo de país (789 ou 790, que indica onde o código foi registrado, não onde o produto foi fabricado), o código da empresa, o código do produto e o dígito verificador no fim.
Como o dígito verificador funciona (com o cálculo)
O último dígito do GTIN não identifica nada: ele é calculado a partir dos anteriores e serve para detectar erro de leitura ou de digitação. O método é o módulo 10 com pesos alternados 1 e 3. Vamos calcular com um código fictício, 789000001234, para chegar ao 13º dígito.
| Posição | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Dígito | 7 | 8 | 9 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 1 | 2 | 3 | 4 |
| Peso | 1 | 3 | 1 | 3 | 1 | 3 | 1 | 3 | 1 | 3 | 1 | 3 |
| Produto | 7 | 24 | 9 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 1 | 6 | 3 | 12 |
- Some os dígitos das posições ímpares (peso 1): 7 + 9 + 0 + 0 + 1 + 3 = 20.
- Some os das posições pares e multiplique por 3: (8 + 0 + 0 + 0 + 2 + 4) × 3 = 14 × 3 = 42.
- Some os dois resultados: 20 + 42 = 62.
- Veja quanto falta para o próximo múltiplo de 10: 70 − 62 = 8. Se a soma já for múltiplo de 10, o verificador é 0.
- O GTIN completo é 7890000012348.
Agora o teste que interessa a quem cadastra produto. Se alguém digitar 7890000013348 (um 3 no lugar do 2 na 10ª posição, que tem peso 3), a soma sobe de 62 para 65, o verificador esperado vira 5 em vez de 8 e o código é rejeitado. Qualquer erro num único dígito é pego.
O método tem dois limites pouco conhecidos:
- Troca de dígitos vizinhos que diferem em 5 passa despercebida. Inverter um 0 e um 5 lado a lado (ou 1 e 6, 2 e 7…) muda a soma em um múltiplo de 10, e o verificador continua batendo. Já a troca de 3 por 4 vizinhos é detectada.
- Verificador válido não significa GTIN real. Qualquer pessoa consegue montar 12 dígitos aleatórios e calcular o 13º. O número passa na conta e falha na checagem que importa: se aquele GTIN foi atribuído pela GS1 à empresa dona da marca informada no anúncio.
Nos outros tamanhos a regra é a mesma, contada da direita: o dígito logo antes do verificador tem peso 3, o anterior peso 1, e assim por diante. Por isso zeros à esquerda não alteram o verificador.
Quer saber se os códigos de barras do seu catálogo passam nessa conta? O Diagnóstico de Catálogo da Nação Digital roda 7 verificações públicas no domínio da sua loja — código de barras, produto duplicado, busca interna, dados estruturados — e devolve o resultado em até 48 horas, sem pedir acesso a nenhuma conta.
Como conseguir GTIN no Brasil e quanto custa
O caminho oficial é se associar à GS1 Brasil. A empresa recebe um prefixo exclusivo vinculado ao CNPJ e, a partir dele, gera os GTINs dos seus produtos no Cadastro Nacional de Produtos. O processo, segundo a página de solicitação da GS1 Brasil e a tabela de valores, segue estes passos:
- Informe o faturamento anual no simulador para descobrir a sua categoria.
- Preencha o cadastro da empresa e envie os documentos pelo portal (MEI precisa apenas do CCMEI e de documento de identidade; as demais empresas comprovam faturamento com o Extrato do Simples Nacional ou a ECD).
- Aguarde a validação, com prazo médio de até 5 dias úteis.
- Receba o prefixo, crie um GTIN para cada item e variação no Cadastro Nacional de Produtos e gere a imagem do código com uma ferramenta homologada.
Os valores abaixo foram conferidos na tabela oficial da GS1 Brasil em outubro/2026. O primeiro pagamento soma a taxa de inscrição e metade da anuidade; a primeira anuidade completa vence seis meses depois da adesão, e a GS1 reajusta os valores todo ano.
| Categoria | Faturamento anual | 1º pagamento | Anuidade | GTINs disponíveis |
|---|---|---|---|---|
| T6 | Exclusivo para MEI | R$ 29,50 | R$ 35,00 | Até 10 |
| T5 | Exclusivo para MEI | R$ 212,50 | R$ 379,00 | De 11 a 110 |
| T4 | Até R$ 300 mil | R$ 927,50 | R$ 489,00 | Até 99.999 |
| T3 | R$ 300 mil a R$ 1 milhão | R$ 1.088,00 | R$ 810,00 | Até 99.999 |
| T2 | R$ 1 milhão a R$ 6 milhões | R$ 1.602,50 | R$ 1.839,00 | Até 99.999 |
| T1 | R$ 6 milhões a R$ 60 milhões | R$ 2.584,50 | R$ 3.803,00 | Até 99.999 |
| T10 | R$ 60 milhões a R$ 100 milhões | R$ 3.107,50 | R$ 4.849,00 | Até 99.999 |
| T20 | Acima de R$ 100 milhões | R$ 4.053,00 | R$ 6.740,00 | Até 99.999 |
Dois detalhes pesam. A anuidade não é opcional: se a associação for encerrada por falta de pagamento, a GS1 Brasil informa que o prefixo pode ser reatribuído a outra empresa e os GTINs perdem o vínculo com a sua marca. E os revendedores de “código de barras avulso” na internet são um risco: segundo a GS1 Brasil, marketplaces validam o vínculo do GTIN com o CNPJ, e códigos de revendedor podem ser bloqueados.
Por que o Google exige GTIN
O Google usa o GTIN para casar a sua oferta com o produto que já está no catálogo dele — inclusive com as avaliações de produto, que, segundo a própria Central de Ajuda, levam de 7 a 10 dias para ressincronizar quando o GTIN muda. Por isso, no Google Merchant Center, o atributo gtin é recomendado para todo produto que tenha um GTIN atribuído pelo fabricante. A Central de Ajuda do Merchant Center (consultada em outubro/2026) diz que produtos com GTIN ausente ou incorreto podem ter visibilidade limitada, e que um produto que tem GTIN atribuído e é enviado sem ele pode ser reprovado.
A mesma página traz duas regras que pegam muita loja:
- Faixas restritas: GTINs que começam com 2, 02 ou 04 são reservados para uso interno (como etiquetas de produto pesado na loja) e não podem ir para o feed.
- Faixas de cupom: prefixos 05, 98 e 99 também são recusados.
Segundo o artigo sobre GTIN inválido, o valor é considerado inválido quando contém letras ou símbolos, tem quantidade de dígitos diferente de 8, 12, 13 ou 14 ou falha no dígito verificador. Há ainda o problema de GTIN não relacionado à marca: o número existe, mas não pertence à marca informada no atributo brand. Correções levam de 24 a 72 horas para sair da aba “Requer atenção”. Quem anuncia no Shopping sente isso no alcance — veja o guia de Google Ads para e-commerce.
Quando você não precisa de GTIN
Nem todo produto tem GTIN, e o Google não pede que você invente um. A orientação do Merchant Center é direta: “em caso de dúvida, não informe um GTIN”. Os casos típicos:
- Produto artesanal, feito à mão ou peça única, como obras de arte.
- Produto personalizado, como camiseta estampada sob encomenda ou roupa sob medida.
- Peças antigas, produzidas antes da adoção dos GTINs, como livros publicados antes de 1970.
- Marca própria que nunca registrou GTIN. Nesse caso, o Google pede
brandempn(código do fabricante) no lugar.
Para produto novo sem nenhum identificador (nem GTIN, nem MPN, nem marca), a documentação do atributo identifier_exists manda enviar identifier_exists = no (o valor vai em inglês). Se o Google encontrar evidência de que o produto tem identificador, emite um alerta — não é atalho para quem tem código e não cadastrou.
Quem revende produto de outra marca não precisa se associar à GS1: o GTIN correto é o que o fabricante imprimiu na embalagem. Criar um número novo para produto alheio é o que gera a incompatibilidade entre GTIN e marca.
GTIN nos marketplaces
No Mercado Livre, a documentação de identificadores de produtos (atualizada em 29/12/2025) define a regra por categoria: quando o atributo GTIN é obrigatório, ele precisa ser preenchido sempre; quando é condicionalmente obrigatório, o vendedor pode informar um motivo para não ter GTIN; e uma marca que já tem pelo menos 30 GTINs publicados passa a ter o campo exigido. Em celulares, o GTIN é sempre obrigatório.
A lógica é a do Google: produtos idênticos compartilham o identificador, e é ele que agrupa as ofertas no catálogo. Quem distribui o cadastro para vários canais deve tratar o GTIN como campo-mestre no ERP ou no integrador de marketplace, para não corrigir o mesmo erro em cinco lugares. Ainda decidindo os canais? Veja o comparativo e-commerce próprio ou marketplace.
Erros comuns com GTIN e o que eles causam
Em auditorias de catálogo, estes problemas são frequentes — e quase todos nascem no cadastro, não no feed:
- GTIN inventado ou gerado por site gratuito. Passa no dígito verificador e falha na checagem de marca: alerta no Merchant Center e risco de bloqueio no marketplace.
- Mesmo GTIN em todas as variações. Cor, tamanho e voltagem são itens diferentes e pedem GTINs diferentes; com o mesmo número, as variações viram produto duplicado.
- GTIN de outro fabricante no seu produto. Comum quando a marca própria copia o código de um item parecido do fornecedor: o número é válido, mas é de outra empresa.
- Código interno do ERP no campo GTIN. Muitos sistemas geram códigos começando com 2 para uso interno, justamente a faixa restrita que o Google recusa.
- GTIN-14 da caixa no lugar do GTIN-13 da unidade. Quem vende a unidade deve informar o código da unidade, não o da embalagem de transporte.
- Zero à esquerda apagado pela planilha. O Excel trata GTIN como número: o GTIN-14 que começa com 0 perde o zero, e o de 13 dígitos pode virar notação científica (7,89E+12). Formate a coluna como texto.
O GTIN também conversa com o resto da página: título, marca e descrição de produto precisam descrever o mesmo item que o código identifica. E os dados estruturados da página de produto devem repetir o mesmo GTIN do feed, já que o Google lê os dois — um ponto que entra em qualquer trabalho sério de SEO para loja virtual.
Checklist rápido para auditar os GTINs da loja
- Exporte SKU, marca e GTIN, com a coluna de GTIN como texto.
- Confira se cada valor tem 8, 12, 13 ou 14 dígitos, só números.
- Recalcule o dígito verificador (uma fórmula de planilha resolve).
- Filtre GTINs repetidos entre SKUs diferentes.
- Filtre prefixos 2, 02, 04, 05, 98 e 99.
- Marca própria: confirme o prefixo da sua empresa na GS1. Revenda: compare com a embalagem.
Perguntas frequentes
MEI pode ter código de barras?
Pode. A GS1 Brasil tem duas categorias exclusivas para MEI: T6, com até 10 GTINs e primeiro pagamento de R$ 29,50, e T5, com 11 a 110 GTINs e primeiro pagamento de R$ 212,50 (tabela de outubro/2026). O MEI precisa estar formalizado; veja o caminho no guia sobre CNPJ para e-commerce.
Um GTIN com dígito verificador correto é válido?
É válido no formato, não necessariamente na origem. O dígito verificador só confirma que os números foram digitados sem erro. Se o código não foi atribuído pela GS1 à empresa dona da marca, Google e marketplaces podem recusá-lo.
Quer descobrir quantos produtos da sua loja estão com código de barras inválido ou repetido? O Diagnóstico de Catálogo da Nação Digital roda 7 verificações públicas no domínio da sua loja — código de barras, produto duplicado, busca interna, dados estruturados — e devolve o resultado em até 48 horas, sem pedir acesso a nenhuma conta.
Se o problema já passou do catálogo e chegou ao desempenho das campanhas de Shopping, o time de mídia e performance da Nação Digital pode ajudar a separar o que é feed do que é lance. Fale com a Nação Digital.

