Toda venda de produto pela internet precisa de nota fiscal e, no marketplace, a nota precisa estar vinculada ao pedido antes do despacho. Com dez pedidos por dia, dá para emitir à mão. Com cem, emitir nota vira um turno inteiro, e cada erro de cadastro (NCM, CFOP, endereço) volta como rejeição da Sefaz. O emissor de nota fiscal resolve isso: transforma o pedido aprovado em documento autorizado, sem digitação.
Este comparativo reúne 9 opções que operam no Brasil, do emissor público gratuito a ERPs e APIs, com preços conferidos nas páginas oficiais em outubro de 2026. Também explica a diferença entre NF-e, NFC-e e NFS-e e o que a reforma tributária já mudou no preenchimento da nota.
Em resumo:
- Quem vende produto online emite NF-e (modelo 55). A NFS-e é para serviço e a NFC-e, para venda presencial ao consumidor. O Emissor Nacional do governo, gratuito, só emite NFS-e.
- O emissor gratuito de NF-e acabou: o programa da Sefaz-SP foi descontinuado em 1º de janeiro de 2017. Hoje a NF-e sai de um ERP, de um emissor pago ou de uma API.
- Para e-commerce, o critério decisivo é a emissão automática a partir do pedido. ERPs como Bling e Olist ERP fazem isso com integração nativa; APIs como Focus NFe e NFE.io exigem desenvolvimento.
- Reforma tributária: desde 3 de agosto de 2026, NF-e e NFC-e precisam dos campos de IBS e CBS (Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026). Para o Simples Nacional, a exigência começa em 1º de janeiro de 2027.
- Compare pelo limite, não pela mensalidade: cada fornecedor limita algo diferente — pedidos de marketplace, armazenamento ou documentos emitidos.
NF-e, NFC-e e NFS-e: qual nota a sua loja emite
O que você vende, e para quem, define a nota. E nem todo emissor faz os três tipos:
- NF-e (modelo 55): documenta a circulação de mercadoria. É a nota da venda em loja virtual e marketplace, inclusive para pessoa física. Autorizada pela Sefaz do estado.
- NFC-e (modelo 65): substitui o cupom fiscal na venda presencial ao consumidor final. Interessa a quem tem loja física e virtual com o mesmo estoque.
- NFS-e: documenta serviço sujeito ao ISS — curso, consultoria, assinatura de software.
Há casos mistos: quem vende o produto e cobra a instalação emite NF-e para o item e NFS-e para o serviço. O primeiro filtro de qualquer emissor é se ele emite o documento que o seu modelo de negócio exige.
O que a reforma tributária já mudou na nota fiscal em 2026
A nota ganhou campos para a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), os tributos que vão substituir PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI. Em 2026, ano de teste, a alíquota informada é de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, e a apuração é só informativa para quem cumpre as obrigações acessórias, segundo o Comitê Gestor do IBS (15/06/2026).
O calendário veio no Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4, publicado em 31 de julho de 2026. Pelo resumo oficial da Secretaria de Economia do Distrito Federal, as datas que interessam ao e-commerce são:
- 3 de agosto de 2026: NF-e e NFC-e passam a exigir as informações de IBS e CBS.
- 1º de outubro de 2026: NFS-e da maior parte dos serviços sujeitos ao ISS.
- 1º de dezembro de 2026: NFS-e de serviços prestados ou intermediados por plataformas digitais, entre outros casos.
- 1º de janeiro de 2027: optantes pelo Simples Nacional e NF-e de operações com tributação monofásica.
O detalhe que confunde: em 3 de agosto de 2026, a Receita anunciou que, temporariamente, NF-e e NFC-e não seriam rejeitadas sem os campos de CBS e IBS, conforme a Agência Gov, sem data de término. A nota sem os campos ainda passa na Sefaz, mas a obrigação segue no calendário. Na hora de escolher, pergunte se o emissor já preenche os grupos de IBS e CBS: o que não se adaptou vira problema quando a validação voltar.
Como escolher um emissor de nota fiscal para e-commerce
- Emissão automática a partir do pedido. O emissor recebe o pedido do marketplace ou da loja e gera a NF-e sem redigitação. Sem isso, você paga por um formulário eletrônico.
- Integração com ERP e plataforma. A nota deve sair do mesmo fluxo da plataforma de e-commerce e do integrador de marketplace, para que pedido, estoque e nota não se desencontrem.
- Certificado digital A1. A automação depende do A1, um arquivo instalado no sistema; o A3 (cartão ou token) exige o dispositivo conectado. O eNotas, por exemplo, afirma que só o A1 suporta sua emissão automática.
- Volume por plano. Compare pelo seu volume no pico, como a Black Friday, não pela média.
- Adaptação à reforma. Quem responde pela classificação tributária de cada item no novo leiaute?
Os 9 emissores de nota fiscal comparados
A lista mistura três categorias: ERPs (a nota vem junto com estoque, pedidos e financeiro), APIs (infraestrutura para quem tem sistema próprio) e emissores de serviço (NFS-e). Todos os sites estavam no ar em outubro de 2026.
1. Bling
ERP online popular entre lojas de marketplace. Emite NF-e, NFC-e e NFS-e (integrada a mais de 700 municípios) e gera a nota a partir dos pedidos importados dos canais.
Preço (out/2026): Cobalto R$ 60/mês, com notas ilimitadas e até 200 pedidos de marketplace/API por mês; Titânio a partir de R$ 120/mês (faixas de 500, 2.000 ou 5.000 pedidos); Diamante R$ 650/mês (10.000 pedidos); Elite a partir de R$ 1.250/mês. Havia oferta de Black Friday no Titânio (a partir de R$ 96) e no Diamante (R$ 357,50). Ver planos oficiais →
Prós: pedidos manuais, do PDV e da loja virtual própria não consomem o limite; notas ilimitadas já no plano de entrada.
Contras: 200 pedidos de marketplace por mês é pouco para quem vende só em marketplace; a página não mostra o preço de cada faixa do Titânio.
Para quem: lojas pequenas e médias em vários marketplaces.
2. Olist ERP (ex-Tiny)
O antigo Tiny ERP, hoje sob a marca Olist (tiny.com.br/planos redireciona para olist.com). Emite NF-e, NFC-e e NFS-e e tem mais de 40 integrações nativas com marketplaces.
Preço (out/2026): Avance R$ 66/mês; Construa R$ 177/mês; Impulsione R$ 390/mês; Domine R$ 948/mês; Protagonize sob consulta. Havia promoção de Black Friday nos três primeiros meses (Construa R$ 123,90, Impulsione R$ 234, Domine R$ 474). Ver planos oficiais →
Prós: pedidos e usuários ilimitados em todos os planos; integração via API a partir do Construa.
Contras: o limite real é o armazenamento (60 MB no Avance, 2 GB no Domine), que a página não traduz em número de notas; só 20 NFS-e por mês no Avance.
Para quem: lojas com muito pedido em marketplace que não querem pagar por pedido importado.
3. Omie
ERP em nuvem com financeiro, estoque e fiscal. A versão Multivarejo adiciona integração com lojas virtuais e marketplaces e frente de caixa.
Preço (out/2026): ERP Padrão a partir de R$ 309/mês; Multivarejo a partir de R$ 419/mês, variando por faixa de faturamento. Ver preços oficiais →
Prós: financeiro mais completo que o dos ERPs focados em marketplace; captura automática de notas de compra.
Contras: quem vende online precisa do Multivarejo; a página não detalha preço por faixa nem os modelos de nota incluídos.
Para quem: empresas que vendem online e offline e querem o financeiro no mesmo ERP.
4. Conta Azul
Gestão para pequenas empresas, com financeiro, vendas e emissão de NF-e, NFS-e e NFC-e. Planos por faixa de faturamento anual.
Preço (out/2026): Essencial (MEI) de R$ 179,90 a R$ 269,90/mês, conforme a periodicidade; Controle de R$ 349,90 a R$ 499,90; Avançado de R$ 439,90 a R$ 579,90; Performance de R$ 799,90 a R$ 929,90. Ver planos oficiais →
Prós: simples para quem não tem equipe fiscal; emissor em lote para afiliados da Shopee a partir do relatório de comissões.
Contras: a página não informa limite de notas nem quais integrações com marketplace existem; entrada cara para quem só precisa emitir nota.
Para quem: pequenas empresas que querem financeiro e nota juntos, com poucos canais de venda.
5. Focus NFe
Emissor por API: a infraestrutura que o seu sistema chama para autorizar a nota. Emite NF-e, NFS-e, NFC-e, CT-e, MDF-e, NFCom e DC-e.
Preço (out/2026): Solo R$ 94,90/mês (1 CNPJ, 100 documentos); Start R$ 119,90/mês (até 3 CNPJs, 100 documentos por CNPJ), ambos com excedente de R$ 0,11 por documento; Growth R$ 572/mês (4.000 documentos, excedente de R$ 0,125); Retail, para NFC-e, a partir de R$ 62,90. Teste grátis de 30 dias. Ver preços oficiais →
Prós: preço por documento transparente; cobre todos os modelos de nota.
Contras: exige desenvolvedor; não importa pedido nem baixa estoque; documentos recebidos também contam no pacote.
Para quem: operações com loja ou sistema próprio e time de tecnologia.
6. NFE.io
Emissão por API, planilha e plugins de pagamento. A API cobre NF-e, NFC-e e NFS-e; os plugins valem só para serviço. Oferece servidor MCP para agentes de IA emitirem e consultarem notas.
Preço (out/2026, planos de NFS-e): Base R$ 190/mês (até 250 notas); Crescimento R$ 265/mês (até 500); Escala R$ 375/mês (até 1.000); Inicial R$ 1.075/ano (até 100 notas/mês); Enterprise sob consulta. A página não traz preço de NF-e de produto. Ver preços oficiais →
Prós: documentação de API pública com ambiente de testes; emissão em massa por planilha.
Contras: NF-e de produto só com cotação; exige integração técnica.
Para quem: empresas de serviço e assinatura com sistema próprio.
7. eNotas
Emissor automático hoje voltado a produtores, afiliados e coprodutores da Hotmart, apresentada no site como parceira oficial. Emite NFS-e e NF-e na cobrança, no pagamento ou após a garantia.
Preço (out/2026): sob consulta; a página mostra planos mensal e anual (25% de desconto), sem valores. Ver site oficial →
Prós: emissão sem intervenção para vendas da Hotmart; separa NFS-e e NF-e na mesma venda.
Contras: o site não cita outras plataformas de e-commerce nem API; um CNPJ por assinatura.
Para quem: infoprodutores da Hotmart, não lojas de produto físico.
8. Nibo
Gestão financeira para empresas de serviço e contadores, com emissão e automação de NFS-e. A página de planos não menciona NF-e de produto.
Preço (out/2026): Light R$ 208/mês (R$ 166 no anual); Plus R$ 312/mês (R$ 250 no anual); Premium R$ 479/mês (R$ 383 no anual). Ver planos oficiais →
Prós: financeiro, boletos e NFS-e juntos; emissão em lote no Premium.
Contras: não atende venda de produto; limite de notas não informado.
Para quem: agências e consultorias. Aparece em quase toda busca por “sistema de nota fiscal”, mas não resolve o e-commerce de produto.
9. Emissor Nacional da NFS-e (gov.br)
Emissor público da NFS-e de padrão nacional, acessado pelo portal nfse.gov.br. Preço: gratuito. Prós: custo zero; canal obrigatório da NFS-e do MEI prestador de serviço. Contras: não emite NF-e nem NFC-e; emissão manual, sem integração com loja. Para quem: MEI e pequenos prestadores com poucas notas por mês.
Tabela comparativa dos emissores de nota fiscal
| Emissor | Tipo | Notas | Entrada (out/2026) | Limite que importa | Pedido vira nota sozinho? |
|---|---|---|---|---|---|
| Bling | ERP | NF-e, NFC-e, NFS-e | R$ 60/mês | 200 pedidos de marketplace/mês | Sim, nativo |
| Olist ERP | ERP | NF-e, NFC-e, NFS-e | R$ 66/mês | Armazenamento (60 MB) | Sim, nativo |
| Omie | ERP | Não detalhado | R$ 309/mês | Faixa de faturamento | Só no Multivarejo |
| Conta Azul | Gestão | NF-e, NFS-e, NFC-e | R$ 179,90/mês | Faixa de faturamento | Não detalhado |
| Focus NFe | API | Todos | R$ 94,90/mês | 100 documentos + R$ 0,11 | Com desenvolvimento |
| NFE.io | API | NF-e, NFC-e, NFS-e | R$ 190/mês (NFS-e) | 250 NFS-e/mês | Com desenvolvimento |
| eNotas | Automático | NFS-e, NF-e | Sob consulta | Plano | Só Hotmart |
| Nibo | Financeiro | NFS-e | R$ 166/mês (anual) | Não informado | Não se aplica |
| Emissor Nacional | Público | NFS-e | Gratuito | Manual | Não |
A nota automatizada resolve o back-office — e o catálogo da sua loja, como aparece para o Google? O Diagnóstico de Catálogo da Nação Digital roda 7 verificações públicas no domínio da sua loja — código de barras, produto duplicado, busca interna, dados estruturados — e devolve o resultado em até 48 horas, sem pedir acesso a nenhuma conta.
ERP ou API: quanto custa emitir 1.500 notas por mês
Exemplo hipotético com preços de tabela de outubro de 2026: uma loja com 1 CNPJ emite 1.500 NF-e por mês, todas de pedidos de marketplace.
- Focus NFe Solo: R$ 94,90 + (1.400 excedentes × R$ 0,11) = R$ 248,90/mês. O Growth (R$ 572) só compensa acima de cerca de 4.400 documentos por mês.
- Bling: 1.500 pedidos de marketplace não cabem no Cobalto e exigem o Titânio na faixa de até 2.000 pedidos, cujo valor a página não detalha (o plano começa em R$ 120).
- Olist ERP: pedidos ilimitados; o teto é o armazenamento, que precisa ser checado com o fornecedor para esse volume.
Em reais por mês, a API parece barata, mas não importa pedido nem baixa estoque: esse trabalho vira hora de desenvolvedor. A API faz sentido para quem já tem sistema próprio; o ERP, para quem vende em marketplace e precisa que pedido, estoque da loja virtual e nota andem juntos. Para comparar ERPs além da nota, veja o guia de ferramentas de ERP.
Emissor de nota fiscal gratuito: o que ainda existe
Para NF-e de produto, não há mais emissor público gratuito. O programa que a Sefaz-SP mantinha para NF-e e CT-e foi descontinuado em 1º de janeiro de 2017, sem nova versão, conforme aviso reproduzido pela Sefaz-PE. Hoje, o gratuito oficial é o Emissor Nacional, só para serviço. Para produto, “grátis” costuma ser teste (a Focus NFe dá 30 dias) ou plano de entrada com limite. Antes de adotar, confira se emite NF-e modelo 55, se já preenche IBS e CBS e se aceita certificado A1.
Emissor de nota fiscal para MEI
Desde 1º de setembro de 2023, o MEI que presta serviço não sujeito ao ICMS é obrigado a emitir a NFS-e de padrão nacional no Emissor Nacional, conforme o Portal da NFS-e do governo federal, com base na Resolução CGSN nº 169/2022. A mesma página diz que a regra não vale para o MEI que comercializa mercadorias: quem vende produto online como MEI segue no universo da NF-e, emitida por sistema autorizado pela Sefaz do estado. Se o faturamento se aproxima do teto do MEI, revise o enquadramento junto com o emissor; o guia de CNPJ para e-commerce explica a formalização.
Qual emissor escolher para cada perfil
- Começando em marketplace, até 200 pedidos/mês: Bling Cobalto ou Olist ERP Avance.
- Volume alto em vários marketplaces: Olist ERP, pelos pedidos ilimitados, ou Bling nas faixas superiores.
- Loja física e virtual com o mesmo estoque: Omie Multivarejo ou Bling, com NFC-e e frente de caixa.
- Sistema próprio e time de tecnologia: Focus NFe ou NFE.io.
- Infoprodutor na Hotmart: eNotas.
- Prestador de serviço: Nibo ou Conta Azul; MEI de serviço, o Emissor Nacional.
A nota é uma peça do back-office, ao lado de armazém e financeiro. Se a dor está na expedição, veja o comparativo de sistema WMS; se está em bater venda, taxa e repasse, o de conciliação financeira.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor emissor de nota fiscal para e-commerce?
Depende de onde você vende. Em marketplace, um ERP com integração nativa (Bling, Olist ERP) gera a NF-e a partir do pedido. Com loja e sistema próprios, uma API como Focus NFe ou NFE.io dá mais controle e custo previsível por documento.
Preciso de certificado digital para emitir NF-e?
Sim. A NF-e é assinada com o certificado digital da empresa. Para emissão automática, o A1 (arquivo) é o compatível; o A3, em cartão ou token, exige o dispositivo conectado a cada emissão.
Minha nota precisa ter IBS e CBS em 2026?
No regime regular, a obrigatoriedade para NF-e e NFC-e começou em 3 de agosto de 2026, embora a Receita tenha anunciado que, temporariamente, a ausência dos campos não rejeita a nota. No Simples Nacional, começa em 1º de janeiro de 2027. Confirme com o seu contador e com o fornecedor do emissor.
MEI que vende produto pode usar o Emissor Nacional?
Não para a venda de produto. O Emissor Nacional emite só NFS-e, e a obrigação de usá-lo vale para o MEI prestador de serviço, não para quem comercializa mercadorias.
Preços conferidos nas páginas oficiais em outubro/2026, incluindo promoções de Black Friday vigentes naquele mês; confira o valor atual no link de cada fornecedor. Este conteúdo não substitui a orientação do seu contador.
Com a nota resolvida, o próximo gargalo costuma ser o catálogo. O Diagnóstico de Catálogo da Nação Digital roda 7 verificações públicas no domínio da sua loja — código de barras, produto duplicado, busca interna, dados estruturados — e devolve o resultado em até 48 horas, sem pedir acesso a nenhuma conta.
Quer conectar operação, dado e mídia para crescer a receita do e-commerce? Fale com a Nação Digital →

