Este conteúdo foi atualizado em: 24/09/2026
Uma plataforma de e-commerce B2B é o software que deixa o seu cliente empresa — o lojista, o revendedor, o comprador da indústria — fazer pedido sozinho, com o preço, o prazo de pagamento e o catálogo que foram negociados com ele. É isso que a separa de uma loja virtual comum: em B2B, dois clientes olhando o mesmo SKU no mesmo minuto podem (e devem) ver preços diferentes.
Este guia compara oito plataformas relevantes para indústrias e distribuidores no Brasil em 2026, com preço ou modelo de cobrança conferido nas páginas oficiais em setembro/2026 (sinalizado quando não foi possível), e explica os critérios que só existem no B2B. Se você procura uma loja para vender ao consumidor final, o comparativo certo é o de plataformas de e-commerce para varejo (B2C).
Em resumo:
- Atacado não é B2B. Preço por quantidade e pedido mínimo global qualquer plataforma de varejo faz. B2B de verdade exige tabela de preço por cliente (CNPJ), condição de pagamento e limite de crédito por conta, e vários compradores com permissões diferentes na mesma empresa.
- Três grupos de plataforma: suítes enterprise globais (Salesforce, SAP, Adobe Commerce), plataformas de e-commerce com módulo B2B (VTEX, Wake, Shopify) e sistemas nascidos para força de vendas B2B brasileira (Flexy, Mercos).
- Preço quase nunca é público. Das oito, só Flexy, Mercos (plano de entrada) e Shopify publicam valores; as demais são sob consulta.
- O gargalo raramente é a plataforma. Em projetos B2B, o que atrasa e derruba resultado é a integração com o ERP (cliente, preço, crédito, estoque, nota fiscal) e a adesão dos representantes comerciais ao canal digital.
O que diferencia uma plataforma de e-commerce B2B de uma loja comum
A diferença está na regra comercial, não no visual. Uma operação B2B precisa reproduzir no digital a negociação que hoje o vendedor faz no telefone: preço de tabela específico, desconto por canal ou região, boleto em 28/56 dias, crédito aprovado pelo financeiro, pedido mínimo por cliente e, muitas vezes, aprovação interna do comprador antes de o pedido sair.
Por isso tanta empresa se frustra ao “ativar o atacado” de uma plataforma de varejo: ele resolve preço por quantidade e pedido mínimo único. Quando o comercial pede tabela por CNPJ, cadastro de pessoa jurídica aprovado antes da compra ou visibilidade de títulos em aberto, a resposta passa a ser aplicativo de terceiros ou desenvolvimento sob medida.
Vale separar outra confusão comum nas buscas: plataforma de compras B2B (procurement) é o sistema do lado do comprador, usado para cotar e aprovar aquisições de fornecedores. Marketplace B2B é um ambiente com vários vendedores. Este guia trata do lado de quem vende: a indústria ou o distribuidor com canal próprio de pedidos.
Os critérios que só importam em B2B
Use a lista como roteiro de demonstração: peça cada item funcionando com um cliente de teste, não em slide.
- Tabela de preço por cliente ou grupo de clientes. O mesmo SKU com preços diferentes por CNPJ, canal ou região, sincronizados com o ERP.
- Condição de pagamento e limite de crédito. Boleto a prazo, limite por conta e bloqueio automático do inadimplente.
- Pedido mínimo e múltiplo de embalagem. Mínimo por cliente; venda em caixa fechada.
- Catálogo por cliente. Cada canal ou região vê só o mix que pode comprar.
- Vários compradores por conta, com aprovação. Filiais, centros de custo e papéis (quem monta o carrinho, quem aprova).
- Integração com ERP. SAP, TOTVS, Sankhya, Omie: cliente, preço, estoque, crédito, pedido e nota fiscal. É o item que mais consome prazo.
- Representante comercial e força de vendas. App de pedido em campo, pedido em nome do cliente e atribuição do pedido online à carteira do representante.
- Impostos e faturamento. Cálculo de IPI, ICMS-ST e DIFAL no carrinho, para que o preço final exibido seja o mesmo da nota fiscal.
- Cotação (RFQ) e recompra. Negociar um carrinho grande antes de fechar; repetir pedido em um clique.
Os impostos merecem atenção especial porque são o erro mais caro do B2B brasileiro. O preço final do mesmo produto muda conforme a mercadoria vai para revenda ou para uso e consumo, se o comprador é contribuinte do ICMS e qual é a UF de destino — é isso que faz o ICMS-ST e o DIFAL entrarem ou não na conta. Plataforma que mostra um valor no carrinho e deixa o ERP “descobrir” outro na hora de faturar gera pedido cancelado e desconto dado para salvar a venda. E lembre: quem emite a NF-e, na maioria das arquiteturas, é o ERP; a plataforma precisa devolver o pedido completo e receber de volta o status e a nota.
As 8 melhores plataformas de e-commerce B2B em 2026
A ordem não é ranking: vai das suítes enterprise às soluções nascidas para força de vendas.
1. VTEX (B2B Suite)
A VTEX trata B2B por meio do B2B Suite. Segundo a documentação oficial, o recurso agrupa usuários em organizações, às quais se atribuem métodos de pagamento, tabelas de preço e coleções de produtos próprias; cada organização pode ser dividida em centros de custo, e os usuários têm papéis e permissões diferentes. Compradores criam cotações e carrinhos salvos compartilhados com a própria organização.
Para venda a prazo, o Customer Credit permite definir limite e tolerância de crédito por conta. A VTEX também opera marketplace nativo.
- Melhor para: indústria ou distribuidor grande que opera B2B e B2C (ou marketplace) na mesma plataforma.
- Ponto de atenção: é plataforma que pede time técnico ou parceiro de implantação; o B2B Suite é um conjunto de apps a configurar, não um botão.
- Preço: sob consulta. A página oficial de preços não publica valores; o modelo praticado combina mensalidade e percentual sobre vendas aprovadas. Modelo conferido em fontes secundárias — a página oficial não o detalha; confirme na proposta.
2. Salesforce B2B Commerce
O Salesforce B2B Commerce roda sobre a mesma base do CRM da Salesforce. A página oficial destaca permissões por conta e por comprador (entitlements), preço negociado, catálogos personalizados, recompra facilitada e cotações integradas ao Sales Cloud. Vendedor e portal enxergam a mesma conta e o mesmo contrato.
- Melhor para: empresa que já usa Sales Cloud e quer que o portal B2B e o time comercial trabalhem sobre o mesmo cadastro.
- Ponto de atenção: sem Salesforce no CRM, parte grande da vantagem desaparece e o custo total sobe.
- Preço: sob consulta. A página oficial de preços lista a edição Commerce Cloud B2B Growth (com 6 lojas B2B e Order Management Lite) como “Contact for Pricing”.
3. Adobe Commerce (antigo Magento) com módulo B2B
O Adobe Commerce ativa B2B por meio de uma extensão B2B que, segundo a documentação oficial, traz contas de empresa com hierarquia, catálogos compartilhados com preço por grupo de clientes, cotação negociável, aprovação de ordem de compra, listas de requisição para recompra, pedido rápido por SKU e pagamento a prazo com crédito da empresa.
- Melhor para: operação com catálogo complexo, muita customização e time de desenvolvimento próprio ou terceirizado.
- Ponto de atenção: código aberto na base significa liberdade e também custo de manutenção, atualização e hospedagem.
- Preço: sob consulta, com licença anual calculada a partir do volume bruto vendido (GMV) e do tíquete médio. Modelo de cobrança conferido em fontes secundárias — a página oficial não permite leitura automatizada; confirme com a Adobe.
4. SAP Commerce Cloud
O SAP Commerce Cloud é a escolha natural de quem já roda SAP S/4HANA ou ECC como ERP. A SAP mantém um pacote oficial de integração com o S/4HANA, com fluxos padrão para, entre outros, replicar clientes B2B do ERP para a plataforma. Isso encurta o item mais demorado de qualquer projeto B2B.
- Melhor para: grandes indústrias com SAP no back-office, múltiplas marcas ou países.
- Ponto de atenção: projeto longo e caro; sem SAP no ERP, perde o principal argumento.
- Preço: sob consulta, negociado diretamente com a SAP.
5. Shopify (B2B nativo)
A Shopify colocou recursos B2B no próprio painel. A página oficial de B2B cita perfis de empresa com vários compradores e locais, permissões por usuário, catálogos por cliente, preço por volume, regras de quantidade (mínimo, máximo, múltiplo de caixa), condições de pagamento, rascunho de pedido para cotação e permissões para representantes de vendas.
Pela tabela oficial de planos, o B2B aparece também nos planos Basic, Grow e Advanced, limitado a 3 catálogos; catálogos ilimitados ficam no Plus. No Brasil, o ponto fraco é o ecossistema: os conectores de ERP citados são Acumatica, NetSuite e Microsoft; TOTVS, Sankhya ou Omie e o ICMS-ST dependem de app ou desenvolvimento.
- Melhor para: marca que já vende B2C na Shopify e quer abrir um canal B2B sem trocar de plataforma.
- Ponto de atenção: tributação brasileira e ERP nacional não vêm resolvidos.
- Preço: Shopify Plus a partir de US$ 2.300/mês, segundo a página oficial (setembro/2026); a Shopify não detalha ali cobranças variáveis.
6. Wake (antiga Tray Corp)
A Wake é a vertical de comércio para médias e grandes empresas da LWSA (antiga Locaweb), criada em 2023 a partir da fusão da Tray Corp com outras empresas do grupo, como noticiou a InfoMoney.
No material oficial sobre B2B, a Wake cita preço por quantidade e por região de venda, aprovação de cadastro de cliente antes da compra, controle de crédito integrado ao ERP, regras de pedido mínimo, venda assistida (o representante faz o pedido em nome do cliente) e histórico de pedidos para recompra.
- Melhor para: empresa de médio e grande porte que quer plataforma brasileira, com suporte local e operação B2C e B2B no mesmo lugar.
- Ponto de atenção: confirme em demonstração se a tabela de preço por CNPJ é nativa ou vem por integração com o ERP.
- Preço: sob consulta; a página oficial não publica valores.
7. Flexy
A Flexy se posiciona como plataforma de digitalização de vendas B2B para indústrias, distribuidores e franquias. Começa pelos canais comerciais — portal de autoatendimento, app do representante, televendas e WhatsApp com IA — e não pela loja. A página oficial cita preço segmentado por perfil de cliente, catálogo e condições comerciais personalizados, prazos como 30/60/90 dias, cálculo de ICMS, ICMS-ST, IPI e PIS/Cofins, e integração com ERP para estoque e cadastro.
É também a mais transparente em preço. Na página oficial, os planos vão de R$ 1.290/mês (Starter, 75 pedidos incluídos) a R$ 14.990/mês (Unlimited, pedidos ilimitados), sem comissão sobre o faturamento e sem cobrança por usuário — representantes e compradores entram sem custo adicional. Pedidos acima da franquia custam de R$ 17,20 a R$ 5,55 cada, conforme o plano; a implantação é sob consulta.
- Melhor para: indústria ou distribuidor mid-market cuja venda depende de representantes e televendas.
- Ponto de atenção: é solução de canal B2B, não plataforma para vender também ao consumidor final com a mesma profundidade.
- Preço: de R$ 1.290 a R$ 14.990 por mês + implantação sob consulta (página oficial, setembro/2026).
8. Mercos
A Mercos nasceu como sistema de pedidos para representante comercial e evoluiu para um e-commerce B2B integrado a ele. A página oficial cita tabela de preço por cliente, condições de pagamento, pedido mínimo por cliente, vínculo do pedido ao vendedor responsável e mais de 250 ERPs integrados. Segundo a empresa, são mais de 1.500 e-commerces B2B ativos.
Atenção ao modelo de cobrança: na página de planos para indústrias e distribuidoras, o plano Essencial custa R$ 99 por usuário/mês (até 3 usuários) e não inclui e-commerce B2B nem integração com ERP. Pro, Performance e Enterprise são sob consulta (de 1 a 10 integrações com ERP), e o e-commerce B2B é contratado à parte.
- Melhor para: operação com rede de representantes que precisa primeiro organizar o pedido de campo e depois abrir o autoatendimento.
- Ponto de atenção: cobrança por usuário cresce com a equipe; some e-commerce e integrações para ter o custo real.
- Preço: R$ 99/usuário/mês no Essencial (sem e-commerce B2B); demais planos e o e-commerce B2B sob consulta (página oficial, setembro/2026).
Tabela comparativa
| Plataforma | Perfil | Preço por cliente | Crédito / prazo | Representante | Preço (set/2026) |
|---|---|---|---|---|---|
| VTEX | Enterprise, B2B + B2C + marketplace | Sim (tabela por organização) | Sim (Customer Credit) | Via apps e parceiros | Sob consulta (mensalidade + % sobre vendas)* |
| Salesforce B2B Commerce | Enterprise com Sales Cloud | Sim (preço negociado) | Condições no checkout | Nativo no CRM | Sob consulta |
| Adobe Commerce B2B | Enterprise customizável | Sim (catálogo compartilhado) | Sim (pagamento a prazo) | Via extensões | Sob consulta (licença por GMV)* |
| SAP Commerce Cloud | Enterprise com SAP | Sim | Via ERP SAP | Via ecossistema SAP | Sob consulta |
| Shopify (B2B) | Marca B2C abrindo B2B | Sim (catálogos) | Sim (condições de pagamento) | Permissões de vendas | Plus a partir de US$ 2.300/mês |
| Wake | Médio e grande porte, Brasil | Por quantidade e região | Via integração com ERP | Venda assistida | Sob consulta |
| Flexy | Mid-market B2B brasileiro | Sim (por perfil) | Sim (30/60/90) | App do representante incluso | R$ 1.290 a R$ 14.990/mês |
| Mercos | Rede de representantes | Sim (por cliente) | Condições de pagamento | Núcleo do produto | R$ 99/usuário/mês (sem e-commerce) |
* Modelos de cobrança da VTEX e do Adobe Commerce conferidos em fontes secundárias. Confirme na demonstração o que é nativo e o que depende de app ou integração.
Como decidir: plataforma não é estratégia
A pergunta “qual a melhor plataforma B2B” esconde duas perguntas que decidem o projeto: quão bem ela conversa com o seu ERP e se o seu time comercial vai usá-la. Em auditorias de operações B2B, é comum encontrar plataforma cara e bem implantada com poucos pedidos, porque o representante segue tirando pedido no WhatsApp.
1. Comece pelo ERP, não pela vitrine
Liste o que vai e volta entre ERP e plataforma: cliente, tabela de preço, estoque por CD, crédito, títulos em aberto, status do pedido e XML da nota. Para o seu ERP, pergunte se há conector pronto, quem mantém e quanto custa. Se ainda está escolhendo ou trocando o próprio ERP, veja o comparativo de ferramentas de ERP antes: ele define o leque de plataformas viáveis.
2. Resolva o conflito do representante antes do lançamento
O representante que vê o portal como ameaça à comissão orienta o cliente a pedir por fora. A solução é comercial: todo pedido online da carteira conta para ele, e o portal o poupa de digitar pedido. Dê peso a venda assistida, app do representante e atribuição automática do pedido.
3. Calcule o custo total, não a mensalidade
Some licença, implantação, integração, apps, hospedagem e o time de manutenção. Mensalidade baixa com integração sob medida pode sair mais cara em dois anos que licença alta com conector pronto. Vindo de outra plataforma? O roteiro de migração de e-commerce sem prejuízo ajuda a dimensionar o esforço.
4. Escolha pelo porte e pelo ponto de partida
- Já usa SAP ou Salesforce no núcleo da operação: avalie primeiro a plataforma do mesmo fornecedor — a integração pronta costuma valer mais que qualquer recurso de vitrine.
- Vende B2C e B2B com o mesmo catálogo: VTEX, Wake, Adobe Commerce ou Shopify, conforme porte, time técnico e tributação.
- Venda depende de representantes e televendas, sem operação B2C: Flexy ou Mercos resolvem o canal comercial com menos projeto.
- Ainda validando se o cliente compra online: comece pequeno, com poucos clientes piloto.
Para o passo a passo de estruturar a operação — do modelo comercial à logística — leia como abrir um e-commerce B2B. E, para entender o tamanho e o ritmo do mercado antes de montar o caso de negócio, veja os dados e tendências do e-commerce B2B. Depois do lançamento, o valor do canal está na recorrência: as táticas de retenção de clientes no e-commerce B2B e um CRM bem escolhido pesam mais que o layout da home.
Perguntas frequentes
Quanto custa uma plataforma de e-commerce B2B?
Das oito, só Flexy (R$ 1.290 a R$ 14.990/mês), Mercos (R$ 99/usuário/mês no plano sem e-commerce) e Shopify Plus (a partir de US$ 2.300/mês) publicam preço; as demais são sob consulta. Some sempre implantação e integração com o ERP, que costumam pesar tanto quanto a licença.
Dá para usar Nuvemshop ou Tray para vender no atacado?
Para atacado simples — preço por quantidade, pedido mínimo único, poucos clientes — sim. Quando a operação exige tabela de preço por CNPJ, limite de crédito, aprovação de cadastro e integração profunda com o ERP, essas plataformas passam a depender de apps ou desenvolvimento, e uma plataforma B2B dedicada costuma sair mais barata no total.
A plataforma B2B emite nota fiscal?
Na maioria das arquiteturas, não. Ela calcula impostos e preço final no carrinho e envia o pedido ao ERP, que emite a NF-e e devolve status e nota ao portal do cliente.
Preços e recursos conferidos nas páginas oficiais em setembro/2026. Valores da Shopify em dólares americanos (US$); os demais em reais. Os modelos de cobrança da VTEX e do Adobe Commerce foram conferidos em fontes secundárias, pois as páginas oficiais não os detalham ou não permitem leitura automatizada. Confirme sempre no link de cada fornecedor antes de decidir.
Está estruturando o canal B2B e precisa que plataforma, CRM e dados de cliente conversem desde o início? Conheça o trabalho de CRM da Nação Digital ou fale com a Nação Digital para desenhar a operação.

